GAZETA MERCANTIL

07/07/2003

01 - Bloqueio nas negociações leva Amorim à OMC

02 - Presença feminina no Mercosul

03 - Compromisso de exportar

04 - "Brasil atrai capital estrangeiro mas não tira proveito disso"

05 - Brasil confirma posição de maior reciclador mundial

06 - Desemprego recorde é o principal obstáculo à reeleição de Bush

07 - Hugo Chávez promete "ofensiva de informação"

08 - Gasto por eleitor: US$ 7

09 - Bahia quer intercâmbio com Angola

Gazeta Mercantil

07/07/2003

Capa

Bloqueio nas negociações leva Amorim à OMC

Genebra (Suíça) - Amanhã, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, terá uma reunião com o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, em Genebra. O encontro foi motivado pela preocupação do Brasil com a falta de progresso nas negociações com a entidade. Esse cenário incerto ameaça a reconfiguração que Brasília quer negociar com os Estados Unidos na Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

A estratégia brasileira considera três negociações: na OMC, com os EUA, na Alca e entre o Mercosul-União Européia - como processo único em três tabuleiros, para aumentar as exportações. Só que o estancamento das negociações na OMC complica a evolução de todos os outros temas.

(Assis Moreira)

Cenário incerto leva Amorim a OMC

Genebra - Ministro teme que o atraso nas negociações complique a posição do Brasil na Alca. A preocupação do Brasil com a falta de progressos nas negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC) leva o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a um encontro com o diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi, nesta terça-feira em Genebra.

O cenário incerto na OMC ameaça a reconfiguração que Brasília quer negociar com os Estados Unidos na politicamente sensível Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Até agora, a estratégia brasileira considera as três negociações - na OMC, com os EUA na Alca e entre Mercosul-União Européia - como um processo único em três tabuleiros, para poder aumentar as exportações.

Só que o estancamento das negociações na OMC complica a repartição dos temas a serem negociados nos "três trilhos" esboçados por Brasília. A exemplo dos EUA, que só querem discutir subsídios agrícolas e antidumping na OMC, o Brasil também quer empurrar para a negociação multilateral temas como propriedade intelectual, compras governamentais e concorrência.

O ministro Amorim tem reiterado que "não pode acontecer dos temas de maior interesse para o Brasil ficarem para a OMC, com um adiamento de dois a três anos, enquanto gastamos munição em negociações bilaterais do Mercosul com a União Européia ou com os EUA".

Um importante personagem da cena multilateral nota que mais do que nunca as negociações na OMC são vitais para o Brasil. "Se a negociação na OMC, onde a pressão é mais diluída, continuar bloqueada, resta ao Brasil entrar sozinho na jaula e enfrentar o tigre na Alca ou exportar para a Antártica."

As discussões não avançam na OMC, apesar da anunciada reforma da Política Agrícola Comum (PAC) européia. Não está claro qual será o real efeito da reforma sobre os mercados agrícolas. E os rumores são de que a França só teria aceitado a nova PAC depois, com a garantia de que o mandato negociador da Comissão Européia não será alterado.Também persistem especulações sobre um suposto "plano B" para a Rodada de Doha, considerado "engenhoso" por várias fontes. Ele prevê um acordo mínimo de liberalização em dezembro de 2004. O acordo global amplo seria empurrado para dezembro de 2006. Na parte agrícola, o que for acertado em 2004 só seria implementado a partir de 2007. Coincidiria com o acordo entre a França e Alemanha, que congela entre 2007-2013 os subsídios de US$ 45 bilhões para os agricultores dos 25 países membros da UE aquela altura.

O plano levaria em conta também o fim do mandato da Comissão Européia em setembro de 2004 e a eleição presidencial nos EUA em novembro.

"Para o Brasil, o pior cenário é o fracasso na OMC", conclui um importante analista em Genebra.

(Assis Moreira)

 

Gazeta Mercantil

07/07/2003

Cartas & Opiniões

Presença feminina no Mercosul

Sobre o artigo "O Mercosul e a legitimação social", de Maria Helena Tachinardi, publicado no dia 2 de julho, quero enviar-lhe algumas observações.

No inicio da década de 90, a entidade à qual pertenço, Federação Internacional de Mulheres de Negócios e Profissionais Liberais, realizou um congresso internacional em Foz do Iguaçu. Na ocasião, nossas sócias, vindas de países do Mercosul, encontraram-se num dos pontos convergentes dos países do Cone Sul, estabelecendo aí um marco físico que lembraria a importância da presença feminina no processo de integração.

Também na década de 90, ao lado da dra. Georgette Naso, catedrática de Direito Internacional Público, participei de um congresso do Mercosul promovido pelo Instituto Brasileiro de Assuntos Estratégicos. Tive até a oportunidade de me manifestar no encerramento do evento.

Durante as três últimas décadas, a nossa federação tem procurado se integrar, levando a participação feminina aos mais variados setores socioeconômicos do País, fazendo-se representar em entidades como a Amcham, Fiesp, Ciesp, ADVB. Mas os resultados colhidos pela nossa presença são pífios. Quanto mais cresce a presença feminina nas universidades e no mercado de trabalho, menos a mulher aparece como poder de influência nas decisões nacionais. É lamentável, pois eu e todas as mulheres que hoje damos tudo de nós por uma participação maior na sociedade sabemos quanto uma partilha das questões nacionais conosco seria de relevante importância.

Sugiro que o consultor de comércio internacional sr. Felix Peña inclua na sua agenda de comunicação com os cidadãos do Mercosul o chamamento da mulher latino-americana para uma participação real, efetiva e permanente. Mas que não nos encarreguem apenas de assuntos femininos... Somos preparadas para participar dos processos da criação de políticas e das tomadas de decisão e governança. É com essa intenção que estou enviando ao sr. Peña o nome da nossa atual presidente, dra. Ana Luiza Gonçalves, do Rio Grande do Sul, e os nossos e-mails: bpwbrasil@superig.com.br e federação@bpwbrasil.org.br; e o nosso site: www.bpw-brasil.org.br.

Regina Caldas Membro da Federação Internacional de Mulheres de Negócios e Profissionais Liberais

 

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07/07/2003

Editorial

Compromisso de exportar

A economia globalizada é condição para o desenvolvimento. Conforme indica estudo de mercado recém-concluído pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), em 2002 o setor exportou US$ 139,1 milhões, com queda de aproximadamente 5% em relação ao exercício anterior. As importações (US$ 160,5 milhões), entretanto, diminuíram 31,5%.

Com isso, o déficit da balança comercial setorial foi de US$ 21,4 milhões. Para quem não conhece o histórico do parque gráfico brasileiro, esse resultado pode parecer muito negativo. Analisado de forma comparativa com os exercícios anteriores, porém, revela um significativo avanço: redução de 75,9% em relação ao déficit do ano anterior, que foi de US$ 88,7 milhões (importação de US$ 234,9 milhões e exportações de US$ 146,2 milhões). Em 2001 o déficit da balança comercial do segmento gráfico já havia caído 22% em relação a 2000, quando as exportações atingiram US$ 113,7 milhões. Verifica-se, na verdade, uma curva contínua de queda desde 1998. É interessante notar, na análise geral do qüinqüênio, que o crescimento das exportações é o principal responsável pela melhoria dos indicadores do comércio internacional.

Trata-se de mais um exemplo da vocação exportadora da indústria brasileira, que tem presença crescente em praticamente todos os mercados internacionais, respondendo hoje por cerca de 60% das vendas externas do País. Mas é necessário avançar cada vez mais, buscando nos mercados internacionais a geração de renda e de empregos e a melhoria geral dos indicadores econômicos e sociais. Nesse sentido, o aporte de tecnologia é fundamental. Também é decisivo ser pró-ativo na prospecção do comércio internacional. Ninguém pode ficar sentado no escritório esperando a chegada de um comprador estrangeiro. Nesse contexto, as entidades de classe podem - e devem - atuar firmemente. Essas organizações, que representam os distintos setores de atividades, têm acessos mais amplos a informações sobre mercados, mobilidade nacional e internacional e capacidade de articular ações conjuntas. Exemplo disso é o programa que está sendo realizado pela Abigraf por meio de sua Regional São Paulo. Trata-se dos Consórcios de Exportação, abrangendo grupos de gráficas, que já conta com a adesão de mais de 50 empresas. Essa ação realiza-se em conjunto com a Apex e o Sebrae.

Os recursos iniciais são de R$ 7 milhões. Em três anos, o setor gráfico deverá aumentar suas exportações para algo em torno de US$ 250 milhões/ano. Um avanço expressivo, que significará transformar uma balança comercial setorial deficitária em superavitária. Ter uma economia verdadeiramente globalizada é fator que condiciona o desenvolvimento brasileiro. As empresas, com o apoio das entidades de classe, não devem temer o inexorável, ou seja, o livre comércio, a abertura das nossas fronteiras e um mercado mundial competitivo. E o setor industrial - no contexto de uma sociedade cada vez mais urbana e dependente da tecnologia - tem peso muito grande no sentido de potencializar a vocação exportadora do País. kicker: Ninguém pode ficar sentado esperando a chegada de um comprador estrangeiro

(Alfried Karl Plöger - Presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Regional São Paulo) e da Associação Brasileira de Companhias Abertas (Abrasca).)

 

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07/07/2003

Nacional

"Brasil atrai capital estrangeiro mas não tira proveito disso"

Rio - O Brasil, ao longo do período 1994-2002, manteve-se entre os principais países em desenvolvimento absorvedores de investimentos diretos estrangeiros, somente superado pela China. Mas a despeito da boa posição no ranking, o País não conseguiu estabelecer uma estratégia clara entre investimento e diminuição da vulnerabilidade externa, voltada para ampliação de exportações e capacitação local.

A observação crítica é do presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e Globalização (Sobeet), Antonio Corrêa de Lacerda, que acaba de concluir ampla pesquisa sobre fluxos de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE). O trabalho, com mais de 200 páginas, resultará em publicação de livro.

"Ainda que o Brasil tenha alcançado posição de destaque entre os receptores de investimentos diretos estrangeiros, este desempenho poderia ser melhor em termos qualitativos, com investimentos voltados para a instalação de bases de produção para o mercado externo", acredita ele.

Segundo o economista, o novo desafio que se coloca para a economia brasileira é manter-se atrativa para a absorção de poupança externa, associando esse processo aos objetivos de desenvolvimento econômico. Para isso, é necessário, diz, a implementação pelo governo de uma política de investimentos diretos estrangeiros.

Embora haja restrições no âmbito da Organização Mundial de Comércio à vinculação entre investimentos e balança comercial, o presidente da Sobeet defende a necessidade de negociações diretas entre governo e matrizes e filiais das empresas transnacionais instaladas no País, para se fixar acordos de metas, visando ao atendimento de requisitos mínimos de conteúdo local de valor agregado, de substituição de importação, de ampliação de exportações e de capacidade de produção.

"O Brasil deve usar o potencial de seu mercado interno e o poder de compra governamental para estabelecer preferência para os fornecimentos com maior conteúdo de produção e desenvolvimento local", sugere Lacerda, que é também professor da PUC-SP.

Ele ressalta que não se trata de estabelecer restrições à participação de empresas estrangeiras, mas, sim, privilegiar o critério de valor agregado local, visando ao desenvolvimento da produção e capacitação tecnológica.

Lacerda lembra que na economia internacional, a definição de padrões tecnológicos e de normas técnicas tem significado os principais elementos de acesso a mercados. Nesse aspecto, ele acredita que o Brasil tem se utilizado pouco do poder de barganha representado por sua economia, que está entre os dez maiores mercados do mundo.

O processo de internacionalização das empresas brasileiras é ainda localizado e restrito. Levantamentos feitos por Lacerda mostram que o estoque de investimentos diretos brasileiros no exterior atingiu, em 2001, US$ 50,7 bilhões, ou 8% do estoque total dos países em desenvolvimento.

As empresas transnacionais são fator indutor dos investimentos diretos estrangeiros e do comércio internacional. São 65 mil empresas no mundo, com 850 mil filiais, patrimônio de US$ 25 trilhões, e responsáveis por 54 milhões de empregos. "As empresas transnacionais geram faturamento de US$ 19 trilhões por ano e respondem por 66% das exportações mundiais, o que reforça a relação entre fluxo de comércio e investimentos. Ou seja, a internacionalização das empresas é importante fator de incremernto do comércio internacional", diz o economista.

A pesquida revela que os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) cresceram acima da taxa média anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial (preços correntes). Enquanto o mundo cresceu apenas 1,2%, por ano em média, entre 1996-2000, os fluxos mundiais de IDE tiveram expansão de 36,7%.

O aumento do fluxo de IDE tem provocado a ampliação do grau de desnacionalização das economias receptoras. Os EUA mantêm a liderança entre os maiores recebedores. Da mesma forma, observa-se que os vinte países maiores receptores concentram mais de 80% do fluxo global. Dentre esses vinte países, a grande maioria é de desenvolvidos. Entre os poucos países em desenvolvimento que fazem parte desse seleto grupo, destacam-se a China, que tem sido o maior absorvedor, seguido pelo Brasil.

O movimento crescente de fusões e aquisições internacionais tem sido o principal motivador dos investimentos diretos estrangeiros. Lacerda estima que cerca de 90% dos investimentos diretos estrangeiros realizados sejam diretamente relacionados às transações de compra de empresas já existentes. A grande parte dos investimentos diretos estrangeiros representa um processo de transferência de patrimônio, diz Lacerda.

(Lívia Ferrari)

 

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07/07/2003

Saneamento&Meio Ambiente

Brasil confirma posição de maior reciclador mundial

São Paulo - O Japão, em segundo lugar, divulgou sexta-feira seu índice de 2002. O Japão anunciou, na última sexta-feira, o seu índice oficial de reciclagem das latas de alumínio, de 83,1% em 2002. O índice confirma a posição do Brasil como o país que mais recicla esse material no mundo: 87%, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), divulgados em abril passado. O índice nacional corresponde a cerca de 121,1 mil toneladas de latas ou 9 bilhões de unidades. A reciclagem do alumínio como um todo no País foi de 256 mil toneladas em 2002, sendo que o reaproveitamento das latas representa 47% desse total.

Segundo José Roberto Giosa, coordenador da comissão de reciclagem da Abal, no quesito reciclagem o Brasil tem uma grande vantagem sobre o Japão. "Eles têm mais tradição na reciclagem, pois a praticam há 24 anos, enquanto o Brasil iniciou essas atividades há 13 anos. Além disso, há incentivos fiscais por parte das prefeituras para as empresas envolvidas no reaproveitamento da sucata, o que não acontece aqui. Isso sem falar que, por razões culturais, os japoneses têm maior consciência e hábitos em relação à coleta seletiva do lixo", explica Giosa.

Os números da reciclagem de latas de alumínio no País devem manter-se nos próximos anos, embora a tendência, segundo Giosa, é de que o índice permaneça estável em torno dos 90%. "Na prática, esse número já acontece. O levantamento feito pela ABAL é de dois a três pontos percentuais menor do que a realidade, devido à informalidade que impera no setor". Ele cita como exemplo as empresas de "fundo de quintal" que reutilizam o alumínio para a fabricação de produtos como artefatos de cozinha e lanças de portões. A sonegação fiscal praticada pelas empresas informais também atrapalha a contabilidade da ABAL. "Calculo, com base em minha experiência como executivo do setor de reciclagem, que a sonegação fiscal sobre a sucata de lata deve estar em torno de 20%", diz ele.

Apesar dos bons resultados, a ABAL considera improvável que o país chegue a reciclar 100% de latas, devido à sua grande extensão territorial e às dificuldades logísticas para a reciclagem nas regiões mais remotas. No entanto, a tendência para os próximos anos é de que o País passe a utilizar cada vez mais o alumínio secundário, proveniente da reciclagem, devido aos custos com a energia elétrica, que incidem diretamente sobre o preço do alumínio primário. "Como no processo de reciclagem a economia de energia é da ordem de 95%, vai continuar sendo vantajoso reaproveitar o alumínio, pois os produtos provenientes da reciclagem são mais competitivos no mercado", diz Giosa.

Outro fator que deve sustentar a liderança brasileira é o fato de que o hábito confere rendimentos extras a uma parcela significativa da população. Cerca de 75 latinhas pesam um quilo e o preço pago por tonelada, que varia de acordo com as regiões brasileiras, está em torno de R$ 3 mil.

(Andrea Vialli)

 

Gazeta Mercantil

07/07/2003

Internacional

Desemprego recorde é o principal obstáculo à reeleição de Bush

La Jolla (Califórnia), - Para um presidente de olho na reeleição em novembro de 2004, como o republicano George W. Bush, o aumento da taxa de desemprego nos EUA para 6,4% em junho, divulgado na última quinta-feira, é uma pedra no seu sapato maior do que poderia ser normalmente. A taxa, que cresceu nos últimos meses e atingiu o nível mais alto desde abril de 1994, ajuda a levantar algumas dúvidas sobre a expectativa de que a maior economia do mundo crescerá num ritmo mais forte a partir do segundo semestre deste ano. E, claro, já levou a críticas dos democratas sobre a atual administração. A questão é que essa expansão pode ser um dos, ou o fator crucial, para Bush manter seu emprego por mais um mandato. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que o presidente está preocupado. E não é para menos. Um dos efeitos do contínuo aumento do desemprego pode ser sobre o consumo. O consumo e os investimentos em imóveis têm feito a economia se mover nos últimos tempos. No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto teve crescimento real anualizado de 1.4%. O dado, divulgado semana passada, é inferior ao preliminar anunciado, de 1,9%. Pelo menos até se conhecer o dado de 1,4% e os novos números de perda de postos de trabalho, havia consenso de que o PIB teria crescido perto de 2% no segundo trimestre, que se expandiria 3,4% no terceiro trimestre e 3,6% no último, continuando a crescer no início de 2004. Esses níveis a partir de julho ajudariam o presidente a se manter no poder, diz Albert Fishlow, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia. A expansão da economia nos próximos meses ocorreria principalmente devido ao esforço da atual administração em cortar impostos e às reduções da taxa de juros nos últimos tempos, acreditam analistas. A taxa referencial de juros de curto prazo, for exemplo, caiu pela décima-terceira vez na semana retrasada, desde início de 2001, de 1,25% para 1%, menor patamar dos últimos 45 anos.

Calcanhar de Aquiles

A expectativa de uma economia com mais vigor teve efeito positivo sobre as bolsas nos últimos meses, o que também poderia jogar a favor da reeleição do atual presidente. Mas eventual impacto sobre esse mercado, de notícias como a do desemprego e resultados pouco animadores por parte de algumas empresas podem jogar contra. "Bush está rezando para que alguma coisa que ele faça leve a um aumento nas bolsas", diz Matthew McCubbins, professor do departamento de Ciências Políticas da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD). Segundo ele, um dos principias motivos para isso é que começa em seis anos o período em que, pouco a pouco, 75 milhões de pessoas que nasceram entre 1946 e 1964 terão direito a se aposentar. Muitas delas são eleitores que saem de casa para votar, num país onde o voto não é obrigatório. E estão preocupadas com a queda brutal nos seus investimentos em ações, nas quais têm parcela importante de suas economias aplicadas e que foram compradas inclusive por meio dos fundos de pensão privados. De janeiro de 2000 a 1º de julho passado, a Nasdaq caiu 59,7%, e a bolsa de Nova York, 21,36%. A atenção a esses eleitores ajuda a explicar a redução dos impostos sobre dividendos e ganhos de capital anunciada recentemente, dizem estudiosos. O cuidado com eleitores mais idosos também tem feito Bush propor mudanças no sistema de saúde que os beneficiem.

Para o economista Michael Bernstein, professor de História da UCSD, a falta de um debate sobre o déficit público do país é um fator que poderá ajudar Bush. O déficit deve atingir em torno de US$ 400 bilhões no final de 2003. Quando Bill Clinton deixou a Casa Branca, em janeiro de 2001, havia superávit de cerca de US$ 130 bilhões, lembra Fishlow. E por que não há o debate? Em boa parte porque os políticos têm a percepção de que não é patriótico falar em dinheiro quando há soldados lutando, diz Bernstein. "Falta a discussão e o presidente ainda não disse como vai tratar o saldo negativo. Ele só fala em redução de impostos e eu não acho isso suficiente."

Mesmo que a economia dos EUA ajude Bush a se reeleger, o país depara-se hoje com alguns problemas sobre seu crescimento num prazo de dois a três anos, diz Fishlow. Um deles refere-se à recuperação dos investimentos, excluindo-se os feitos em compras de imóveis. Cerca de 75% a 80% dos investimentos no país estão no setor de serviços e eles ainda não se recuperaram aos níveis de 2000. Em razão do peso do setor na economia, alguns analistas acharam positivo o índice do Institute for Supply Management para atividades não ligadas à manufatura, que saltou de 54,5 em maio para 60,6 em junho. Acima de 50, o índice indica crescimento em serviços. Nos últimos 17 meses, só em um mês a atividade do setor se contraiu, e isso foi em março, quando os EUA invadiram o Iraque. Outra questão, segundo Fishlow: o país pode manter a taxa de juros no nível atual, sem perder investimentos estrangeiros para países como o Brasil, onde os percentuais são mais elevados? Se esses investidores se decidirem por outro endereço, o consumo norte-americano pode cair, já que o dinheiro externo ajuda a gerar financiamento para as compras internas. Além disso, pode levar a problemas no balanço de pagamentos. Só que adotar taxas mais altas pode afetar os investimentos em serviços, por exemplo.

Bush também deve se preocupar com indicadores que apontam o ritmo da economia, como o desemprego, porque aí a concorrência pode ganhar bom numero de votos. Analistas afirmam que os democratas não têm, até agora, nenhum candidato forte o suficiente para enfrentar o presidente nas eleições. Considerando isso e o fato de ter sido durante a administração do democrata Clinton que a economia passou por um ‘boom’, não é à toa que o chairman do Comitê Nacional Democrata, Terry McAuliffe, aproveitou para criticar o presidente num comunicado na semana passada. "O crescimento do número de postos de trabalho perdidos mostra que as políticas da administração de Bush não estão diminuindo o peso financeiro sobre as famílias dos EUA, ao contrário, estão aumentando. A economia perdeu mais de 3,1 milhões de empregos no setor privado desde que Bush assumiu a presidência".

(Claudia Mancini)

 

Gazeta Mercantil

07/07/2003

Internacional

Hugo Chávez promete "ofensiva de informação"

Caracas - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na sexta-feira uma "ofensiva de informação" para resistir às "insistentes campanhas desestabilizadoras" contra seu governo, supostamente promovidas pelos grandes meios privados de comunicação.

O governo destinará 60 bilhões de bolívares (US$ 37,5 milhões), "para ampliar e modernizar a estratégia de comunicação do Estado", anunciou Chávez, na posse de Jesse Chacón como novo Ministro de Comunicação e Informação.

Essa "ofensiva de informações" deve destinar-se especialmente "à classe média alta, que odeia Chávez e é envenenada por uma campanha rigorosamente" gestada e impulsionada pelos meios privados locais contra seu governo, disse o presidente.

"Parece que eles não querem refletir(os dirigentes dos meios de comunicação), e continuam lançando campanhas desestabilizadoras, apesar de estarem sendo derrotados", afirmou Chávez.

Ele defendeu que os grandes meios "retornem ao seu papel, em uma sociedade livre".

O presidente disse que os "donos" dos meios privados "dirigiram" o golpe de Estado que o derrubou durante 48 horas em 11 de abril do 2002, e também a greve que, entre dezembro e fevereiro passados, instigou a oposição para forçá-lo a renunciar ao cargo, "sem êxito".

Chávez lembrou que o governo "é o dono" dos sinais de televisão e rádio, e que foi "muito generoso", porque não revogou as concessões apesar de "ter razões" para isso.

Os donos dos principais meios venezuelanos reconheceram, no último dia 13 de dezembro, em pleno auge da greve, que se envolveram no conflito político para "defender-se" dos "ataques" do governante. Chávez incentivou o novo ministro de Comunicação a "projetar e articular uma grande estratégia" informativa para solucionar as "falhas" do governo.

Chacón disse que o "único problema do governo é não informar à população o que faz".

(EFE)

 

Gazeta Mercantil

07/07/2003

Internacional

Gasto por eleitor: US$ 7

As eleições mexicanas para deputado federal estão entre as mais caras e mais prolongadas do mundo, de acordo com um estudo do Grupo Reforma, feito em seis países americanos e europeus, que possuem o mesmo sistema presidencial. Na França, por exemplo, a campanha para o legislativo federal dura 20 dias e no México, cinco vezes mais: 109 dias. O Brasil, com 90 dias de campanha para o Legislativo, é o país que mais se aproxima do México, embora o eleitorado brasileiro seja de 115 milhões de pessoas, quase o dobro do mexicano.

O Chile, com 8 milhões de eleitores, limita suas campanhas para qualquer cargo, a apenas 30 dias. Na Argentina, a duração oficial é de 60 dias para deputado federal, mas a lei estabelece que só se pode fazer campanha na rua e pelos meios de comunicação 32 dias antes da eleição. Além da duração, as campanhas mexicanas são também caras. O erário público forneceu US$ 461 milhões para gastos, e isso dividido pelo número de eleitores dá um gasto de US$ 7 dólares por eleitor. No Chile, a legislação não estabelece nenhum financiamento público, nem nos EUA. Na França, os gastos em 2002 foram US$ 4, para cada eleitor. Na Argentina, em 2001, US$ 0,75 e no Brasil, em 2002 (com eleição para presidente, deputado federal, senador e 14 governadores), o governo gastou US$ 0,26.

 

Gazeta Mercantil

07/07/2003

Gazeta do Brasil

Bahia quer intercâmbio com Angola

Salvador - O Centro Internacional de Negócios da Bahia, (Promo), organiza uma missão multisetorial para levar a Angola empresários interessados em ampliar a exporta-ção de produtos baianos para aquele país. Entre os cinco países que mais exportam para Angola, o Brasil registrou participação de 4,7% em 2002. As vendas para o continente africano atingiram no ano US$ 265 milhões, dos quais US$ 61 milhões foram de exportações baianas.

"O objetivo é estabelecermos relações de cooperação, não apenas no plano comercial, mas de forma a dar sustentação aos negócios que têm crescido entre os dois países". A avaliação é do superintendente do Promo João Alfredo Figueiredo, que está organizando a missão. A incursão deve ocorrer entre 1º e 7 de setembro, logo após visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agendada para agosto, também com objetivo de aprofundar relações comerciais com o governo e empresários Angolanos.

Recuperação

Em fase de recuperação dos prejuízos causados por pelo menos duas décadas de guerra civil, a ex-colônia portuguesa busca parceria para reconstrução e retomada do desenvolvimento. Angola guarda com o Brasil, a Bahia especialmente, similaridades culturais como a língua, hábitos alimentares e até religiosos.

O encontro para o lançamento da missão tem apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), governo e empresários. Marcado para Sexta feira, dia 4, acontece na sede da Associação Comercial da Bahia, com a presença do Embaixador de Angola, Alberto Correia Neto, do Secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia, Otto Alencar, empresários e dirigentes.

Intercâmbio

Estatísticas do Promo, de negócios entre o Brasil e Angola, destacam a comercialização de ladrilhos e telhas, calçados, madeira e manufaturas, óleo de dendê, veículos e auto peças, açúcar, frangos, grãos, leite, entre outros. Figueiredo destaca, entre os principais produtos com possibilidades de ampliar o intercâmbio comercial, os setores têxtil e de vestuário, artigos de consumo, alimentos e bebidas, plásticos, papel, celulose, artefatos de couro e material de construção..

"Estamos apoiando também assinatura de convênio com a Universidade Federal da Bahia, para que alunos de faculdades angolanas vem se especializar em negócios aqui". Para ele, o incremento das relações depende de se investir numa política de apoio mútuo de longo prazo.

‘A Bahia sempre teve laços estreitos com Angola. Hoje a Link é a agência que atende ao governo e antes, durante a guerra, foi a Propeg. Nada mais natural que se busque estreitar essa aproximação". A opinião é do diretor da Associação Comercial, Paulo Viana, que apoia o evento e estuda a possibilidade de participar da viagem através de sua agência, a Pejota Propaganda. Viana diz que investir nas relações de longo prazo têm rendido e pode ampliar bons negócios para o estado.

Rodadas de negócios

Os empresários baianos interessados em participar da missão multissetorial terão apoio da Embaixada do Brasil em Angola, que está agendando rodadas de negócios com importadores no país. Maiores informações com a Gerência de Promoção Comercial do PROMO, através dos telefones 71 340-9420 / 9480 / 9470.

Promovido pelo Serviço Nacional da Industria (Senai-Cetind) para quem estiver interessado em desenvolver web sites, intranets, cd-roms e outras mídias, usando ferramentas de design e animação, o curso de Mídias Digitais começa hoje, com aulas das 18h30 às 21h30.

Ambientes educacionais

O objetivo é capacitar o aluno para gerenciar e produzir mídias digitais em ambientes educacionais e empresariais. Podem participar empresas que desenvolvem soluções web, de publicidade, comunicação, marketing ou instituições que utilizem as tecnologias da web como ferramenta para produção, além de universidades corporativas e interessados. O programa inclui disciplinas de Introdução as Mídias Digitais, Imagem e Gráficos, Animação, Áudio e Vídeo, em um total de 48 horas/aula.

kicker: Ladrilhos, telhas, calçados, madeira e dendê estão na pauta

(Alvaro Figueiredo)