A Cúpula América do Sul-África (ASA) é um mecanismo multilateral que busca traçar objetivos comuns, com espírito de grande solidariedade e por meio de parcerias estratégicas e de cooperação Sul-Sul, para estimular a capacidade de desenvolvimento sustentável dos países-membros .


Histórico:

Por ocasião da Visita de Estado do Presidente Lula à Nigéria, em abril de 2005, seu homólogo, Olusegun Obasanjo manifestou interesse em uma cúpula entre os países africanos e os da América do Sul, semelhante à Cúpula América do Sul - Países Árabes (ASPA). Antecipou, então, que apresentaria essa proposta na Cúpula da União Africana (UA), em Sirte, na Líbia, em julho daquele ano. O Chefe de Estado brasileiro reagiu favoravelmente à idéia.

Por ocasião da visita do Chefe de Estado nigeriano a Brasília, em setembro de 2005, o Presidente da República reiterou o apoio do Brasil à idéia de seu homólogo de promover a projetada Cúpula entre os países da América do Sul e da África e o estimulou a aproveitar seu mandato na Presidência da União Africana para mobilizar os líderes do continente em prol da concretização de tal iniciativa. Nesse sentido, sugeriu-lhe a possibilidade de o evento ser programado para a Nigéria, no primeiro semestre de 2007, com vistas à sua adequada preparação ao longo de 2006. Ao mesmo tempo, o Presidente brasileiro renovou a disposição do Brasil de colaborar, junto aos países sul-americanos, para a realização da mencionada Cúpula.

Em setembro do mesmo ano, os Chefes de Estado e de Governo da então Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA), atual “União de Nações Sul-Americanas” (UNASUL), reunidos em Brasília, emitiram declaração de apoio à ASA, a qual veio a ser formalmente convocada pela Cúpula da União Africana (UA), em Cartum, em janeiro de 2006.

Em 30 de novembro de 2006, a Cúpula se realizou na Nigéria, dela resultando a Declaração de Abuja, o Plano de Ação e Resolução criando o “Fórum Cooperativo África-América do Sul” (ASACOF), cujas atividades deverão ser coordenadas, do lado africano, pela Nigéria, e, do lado sul-americano, pelo Brasil, os dois países que co-presidiram a Cúpula.

A criação da ASA representou uma oportunidade histórica para as duas regiões constituírem fórum próprio, pela primeira vez, para traçar objetivos comuns, com espírito de grande solidariedade e por meio de parcerias estratégicas e de cooperação, que contribuam para estimular a capacidade de desenvolvimento sustentável de seus países.

Na ótica do Governo brasileiro, a associação entre a América do Sul e a África nunca foi tão necessária, considerando-se o contexto mundial, marcado por injustiças e desigualdades, bem como pelas ameaças ao multilateralismo e à estabilidade do sistema internacional. Ao endossar essa iniciativa, que vinha ao encontro da política externa brasileira de intensificação de suas relações com a África, teve também o Brasil a meta de fixar os alicerces de um novo paradigma de cooperação Sul-Sul.

Os documentos assinados em Abuja refletiram uma agenda rica e diversificada, que incluiu temas de cooperação ambiental em recursos hídricos, energias renováveis e biodiversidade. A cooperação pretendida, no âmbito da ASA, envolve diversas áreas, como agricultura, energia, mineração, turismo, informática, saúde, educação e esporte. Os projetos a serem concebidos estarão vinculados a uma estratégia da África e da América do Sul. Também em Abuja, foi renovado o compromisso com os princípios que orientaram a criação, em 1986, da Zona de Paz e Cooperação no Atlântico Sul (ZOOPACAS).

O Grupo de Coordenação da ASA – “Follow-up Committee”- é constituído pelos Coordenadores das duas Regiões (atualmente, Brasil e Nigéria), pelo país anfitrião da próxima Cúpula (atualmente, Venezuela), assistidos pela Comissão da União Africana e pelo Secretariado da União de Nações Sul-Americanas. De acordo com o Plano de Ação de Abuja, estão previstos: (a) uma Cúpula a cada dois anos; (b) encontros ministeriais entre cada Cúpula; (c) outros encontros, de acordo com o que os Estados entenderem necessário.


ESTRUTURA DA ASA