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Em seu regresso à África, os "retornados" levaram consigo pedaços de uma cultura brasileira que haviam, voluntária ou involuntariamente, incorporado a seu dia-a-dia. Essa cultura, que lhes fora a princípio imposta, terminou por constituir, a seu regresso, o esteio sobre o qual construíram sua identidade estrangeira, "Agudá", "Tabom", ou simplesmente "Brasileira".

 
Em Porto-Novo, o Brasil está em toda parte

As marcas do Brasil sobreviveram nessa comunidade e, aos poucos, foram se incorporando à bagagem cultural local. Ela vê-se hoje nas festas que celebram Nosso Senhor do Bonfim e o carnaval, e que atraem sobretudo (mas não apenas) os "brasileiros" d'África; na arquitetuta do velho centro de Lagos, Porto-Novo e Uidá, onde os casarões, coloniais e brasileiros, não são menos nigerianos e beninenses; na culinária festiva e seleta, de rigor na celebração do Bonfim, mas também na presença unânime de iguarias como a mandioca e a carne seca, trazidas de portos brasileiros; na fé católica e muçulmana, que vieram do norte, da Europa e da própria África, mas também do oeste, do além-mar brasileiro; no vocabulário, enfim, que, a princípio restrito aos círculos "brasileiros", acabou se incorporando às línguas locais, substituindo palavras que já existiam ou agregando-se na definição das novidades trazidas por esses homens e mulheres.