Ministério das Relações Exteriores
 
Discurso do Ministro Celso Amorim na Conferência Internacional em Apoio à Economia Palestina para a Reconstrução de Gaza - Sharm el-Sheikh, 2 de março de 2009

Senhor Presidente, Senhora Presidente,

Esta Conferência é, acima de tudo, uma demonstração de solidariedade ao povo palestino por parte da comunidade internacional e de compaixão com o seu sofrimento. Espero sinceramente que ela seja percebida e entendida por todos os envolvidos.

Mas esta Conferência também deve renovar a nossa resolução de estabelecer um Estado Palestino viável, em uma etapa inicial, convivendo lado a lado e em paz com Israel.

A falta de confiança dá poder aos radicais e tira daqueles que optaram pela moderação o apoio do seu próprio povo.

Concordo com aqueles que disseram que é importante apoiar a Autoridade Palestina. Eu mesmo já estive três vezes na Cisjordânia. Sou testemunha do progresso material alcançado na região.

Mas também gostaria de fazer eco às palavras de Bernard Kouchner, que dizia que está principalmente nas mãos de Israel garantir que a Autoridade Palestina possa cumprir as promessas do processo de paz.

É fundamental trazer melhorias ao dia-a-dia dos cidadãos comuns na Palestina e, para tanto, a dignidade moral é tão importante quanto as condições materiais.

É hora de paz, e não de processo de paz.

Senhor Presidente, Senhora Presidente,

É indispensável que a Resolução 1860 seja plenamente implementada. A ajuda humanitária e o comércio normal e legítimo devem circular livremente em Gaza. Pré-condições para o cumprimento de uma decisão do Conselho de Segurança não são aceitáveis.

O Brasil recebe com satisfação a disposição das forças políticas palestinas em formar um governo de reconciliação. Reconhecemos o papel do Egito na consecução desses desenvolvimentos.

Exortamos o novo Governo de Israel a engajar-se inteiramente no processo de paz.

Devem ser imediatamente interrompidos os graves obstáculos à solução da coexistência dos dois Estados, de que são exemplos a expansão dos assentamentos por Israel e o freqüente uso da força.

Mais do que nunca, a persuasão por parte da comunidade internacional é um ingrediente essencial para atingir a paz.

O Brasil acredita que todos os atores relevantes na região que estejam preparados para agir de forma construtiva devem ter uma chance de participar do processo.

Incorporar às discussões países em desenvolvimento de fora da região também daria mais legitimidade e traria novas idéias às conversações de paz. O Brasil encoraja a convocação de uma conferência em seguimento à reunião de Annapolis.

Senhor Presidente, Senhora Presidente,

Na minha visita à região durante o conflito, entreguei, em nome do povo brasileiro, 14 toneladas de alimentos e remédios para aliviar a situação humanitária em Gaza.

Esse não foi um evento isolado.

Nas conferências de doadores de Estocolmo e Paris, o Brasil contribuiu com um total de US$10,5 milhões. A nossa colaboração em Paris foi a maior já feita pelo Brasil e uma das mais altas realizadas por países em desenvolvimento não-islâmicos.

Meu colega indiano fará menção à nossa contribuição com o IBAS, que inclui o Brasil, a Índia e a África do Sul.

Hoje tenho a honra de anunciar que o Governo brasileiro decidiu doar mais US$10 milhões para a reconstrução de Gaza.

Com esse propósito, o Presidente Lula pediu ao Congresso que autorizasse essa doação com urgência.

Estamos convencidos de que a harmonia e a segurança irão certamente prevalecer sobre a discórdia e a agressão.

Obrigado.

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Minister of External Relations, Ambassador Celso Amorim

International Conference in Support of the Palestinian Economy for the Reconstruction of Gaza
Sharm el-Sheikh, 2 March 2009

Mr. Chairman, Madam Chairperson,

This Conference is above all a display of solidarity of the international community towards the Palestinian people, and of compassion with their suffering. I sincerely hope it will be heard and understood by all concerned.

But this conference must also renew our resolve to establish a viable Palestinian State, at a very early stage, living side by side and in peace with Israel. Lack of trust empowers the radicals and deprives those who opted for moderation from support among their own people.

I agree with those who said it is important to support the Palestinian Authority. I myself have been three times to the West Bank. I can testify to the material progress achieved in the region.

But I would also echo Bernard Kouchner's words that it is largely in the hands of Israel to ensure that the Palestinian Authority can deliver on the promises of the peace process.

It is essential to bring improvement to the daily life of the common people in Palestine. And, in this respect, moral dignity is as important as material conditions.

It is time for peace, not for peace process.

Mr. Chairman, Madam Chairperson,

It is imperative that Resolution 1860 be fully implemented. Humanitarian aid and normal, legitimate commerce, must flow freely to Gaza. Pre-conditions for the fulfillment of a Security Council decision is not acceptable.

Brazil welcomes the Palestinian political forces' disposition to form a reconciliation Government. We recognize the role of Egypt in bringing about those developments.

We urge the new Israeli Government to engage fully in the peace process.

Serious obstacles to the two-States solution, such as the expansion of settlements by Israel and the frequent use of violence, should be immediately stopped.

More than ever, persuasion from the international community is an essential ingredient to achieve peace.

Brazil firmly believes that all relevant actors in the region that are prepared to act constructively should be given a chance to participate in the process.

Bringing developing countries from outside the region to the discussions would also add legitimacy and fresh ideas to the peace talks. Brazil encourages the convening of an Annapolis follow-up conference.

Mr. Chairman, Madam Chairperson,

In my visit to the region during the conflict, I delivered, on behalf of the Brazilian people, 14 tons of food and medicine to alleviate the humanitarian situation in Gaza.

That was not an isolated event.

In the donor conferences of Stockholm and Paris, Brazil donated a total of 10.5 million US dollars. Our contribution in Paris was the largest Brazil ever made and one of the highest among non-islamic developing countries.

My Indian colleague will refer to our contribution with the IBSA, which includes Brazil, India and South Africa.

Today, I am honored to announce that the Brazilian Government has decided to donate a further US$ 10 million to the reconstruction of Gaza.

For that purpose, President Lula has asked Congress to authorize such donation as a matter of urgency.

We are convinced that harmony and security will eventually prevail over dissent and aggression.

Thank you.

Nota nº 83 - 02/03/2009