Resenha nº 067/2001

Segunda-feira, 09 de Abril de 2001

NOTÍCIAS DE FONTES NACIONAIS

CALENDÁRIO É VITÓRIA DO ITAMARATY

A manutenção do calendário oficial para implementação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi uma vitória da diplomacia brasileira. É verdade que nunca houve condições objetivas para a antecipação sonhada ostensivamente por Estados Unidos, Canadá e Chile e, disfarçadamente, pela Argentina. Inclusive, por faltar ao presidente americano o mecanismo fundamental do "fast track", sem o qual seu desejo é pouco mais que um desejo.

Mas desde que os EUA encamparam a proposta chilena de marcar para 2003 a entrada em vigor da Alca, o país que primeiro e com mais vigor a combateu foi o Brasil, seguido pelas nações do Caribe e pela Venezuela. Nem o mais diretamente prejudicado pela eventual medida, o México, se manifestou com firmeza.

Em longa conversa com o Valor no fim da tarde de quinta-feira, o chanceler Celso Lafer mostrou como essa vitória foi articulada pelo Itamaraty.

O primeiro passo foi costurar a unidade do Mercosul. Por mais duvidosa que fosse a posição argentina, era essencial ter pelo menos seu compromisso verbal contra a antecipação. Para obtê-lo, foi providencial a crise político-econômica vivida pelos argentinos, e indispensável o apoio que o Brasil lhe ofereceu.

Depois, Lafer foi a Santiago deixar claro ao governo chileno que o Brasil iria combater com todo o seu poder a antecipação.

A escala seguinte, Washington. Mais uma vez, uma coincidência facilitou sua tarefa: o documento do Council on Foreign Relations dirigido ao governo Bush sobre a importância de dar prioridade ao Brasil ajudou Lafer a demonstrar ao secretário de Estado, Colin Powel, que "o México não é o hemisfério" e que uma política para as Américas centrada no Norte e esquecida do Brasil fracassaria por completo.

Depois, a reunião de cúpula entre Fernando Henrique Cardoso e George W. Bush que, longe de ter sido um fracasso por não ter se concluído com um entendimento, foi vital para a estratégia brasileira de mostrar à recém-inaugurada administração americana que o país tem peso específico no panorama diplomático mundial.

Aí, mais uma vez, o acaso veio em auxílio do Brasil. Em menos de duas semanas, vieram a Brasília três chefes de governo de países que os Estados Unidos têm razões para temer: Hugo Chávez, da Venezuela, Lionel Jospin, da França, e (depois de amanhã), Jiang Zemin, da China. A agenda dessas visitas já estava acertada havia meses, mas a coincidência não poderia ter sido mais conveniente.

Chávez incomoda os EUA. Sua proximidade de Fidel Castro, a atitude desafiadora, os flertes com as FARC podem tornar ainda mais explosiva uma situação caribenha-amazônica que já é suficientemente assustadora.

Jospin, com frequência, tem momentos que lembram os arroubos antiamericanos de Charles De Gaulle, que tanto enfureciam Washington. No governo Clinton, o premiê francês ainda continha seus ímpetos, pois os dois tinham afinidades ideológicas (compartilhadas por FHC) na linha da Terceira Via. Agora, como provou no banquete de quinta-feira no Itamaraty, Jospin não tem problemas de atacar o governo dos EUA com ênfase.

Jiang, nem é preciso enfatizar, é o principal inimigo externo do período Bush, como prova a atual queda de braço em torno do avião de espionagem americano apreendido pela China.

Venezuela, França e China são, em três continentes, peças essenciais de resistência à hegemonia mundial dos EUA . A aproximação brasileira com os três comprova a capacidade de o país se articular com desenvoltura e independência dos EUA.

Claro que os EUA prefeririam antecipar a Alca, para, entre outros motivos, impedir o avanço da União Européia na América do Sul; com a Alca em vigor em 2003, dificilmente o acordo de livre comércio Mercosul-UE se concretizaria em tempo de ameaçar os interesses dos EUA na região, sua área natural de influência política e econômica.

Mas confrontar-se com o Brasil por esse motivo poderia ter um custo elevado demais para Washington, como o Itamaraty, com a ajuda das circunstâncias, o provou muito bem. (Valor Econômico, 09/04/01)

CANADÁ FAZ GESTO DE REAPROXIMAÇÃO

O chanceler canadense, Pierre Pettigrew, tentou sem sucesso convencer o governo brasileiro a minimizar o impacto do caso Embraer-Bombardier para as relações comerciais entre Brasil e Canadá. Reunido com os ministros das Relações Exteriores, Celso Lafer, e do Desenvolvimento, Alcides Tápias, Pettigrew lembrou o grande número de empresas canadenses com investimentos no Brasil e sugeriu a retomada de contatos entre os dois governos para tratar desses interesses. "Vamos pôr de lado essa questão Embraer-Bombardier e tratar de outros assuntos", propôs.

"De lado, não. Isso, para nós, é o mais relevante", respondeu Tápias, depois de pedir licença a Lafer. A reunião terminou sem conclusões, em discussão sobre a atuação dos dois governos no apoio a suas empresas aeronáuticas. "Foi uma conversa cordial", desconversou Pettigrew, ao comentar o encontro. "Temos dois casos na OMC, que não devem interferir em nossas relações mais profundas." Na embaixada do Brasil em Buenos Aires, quando uma cadeira quebrou depois que um diplomata sentou-se de mau jeito, Tápias não resistiu à brincadeira: "Esconde isso aí. Senão, vão dizer que quebramos na cabeça do canadense." (Valor Econômico, 09/04/01)

UM MERCOSUL UNIDO RUMO À ALCA

Venceu o bom senso dos empresários latino-americanos e dos governos dos países da região que defenderam, sem vacilações, a manutenção da data de 31 de dezembro de 2005 para entrada em vigor da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A decisão, contida na Declaração Ministerial de Buenos Aires, subscrita pelos 34 ministros de comércio das Américas, vai ser ratificada pelos presidentes e chefes de Estado dos dos países do hemisfério na Terceiro Cúpula das Américas, em Quebec, no Canadá, ainda neste mês. Foi de importância vital, nesse sentido, o trabalho realizado pela diplomacia brasileira, sob a orientação do chanceler Celso Lafer, em constante diálogo com os empresários.

As resistências começaram a ruir quando o secretário de Comércio dos EUA, Donald Evans, admitiu que a data de 2005 correspondia aos objetivos da integração continental. Essa posição, reiterada pelo representante comercial do governo americano, Robert Zoellick, durante reunião do Fórum Empresarial das Américas, na semana passada, representa simplesmente o acatamento dos termos dos acordos sacramentados nos dois encontros preparatórios para a constituição da Alca, realizados em Miami, em 1994, e em Belo Horizonte, em 1997.

Estamos convencidos de que não há por que temer o convívio com economias poderosas, como a americana ou a canadense, num ambiente de livre comércio, desde que as regras do jogo sejam claras e justas para todos. Nesse sentido, é imperioso que as nações de economia emergente identifiquem e saibam fazer valer suas vantagens comparativas na nova dinâmica econômica. E não é preciso aprofundar investigações para saber que as maiores oportunidades para os países latino-americanos estão depositadas no terreno dos produtos agroindustriais. Estabelecer regras equânimes que ditem o mercado de tais produtos é, portanto, matéria prioritária nas discussões com os integrantes do Nafta, a sigla inglesa para o Acordo de Livre Comércio da América do Norte.

As negociações, desde já, afiguram-se renhidas. Se concordaram em afrouxar sua posição em relação a prazos, os Estados Unidos mostram-se renitentes em abrandar sua política protecionista, que dificulta ou simplesmente veda o ingresso de produtos agropecuários em seu território, de uma parte, e que subsidia pesadamente suas exportações agroindustriais, de outra parte.

Chega a ser sintomático mesmo o fato de que Washington tenha concedido verba adicional aos programas de subsídios à agricultura americana da ordem de US$ 12,35 bilhões - o dobro de todo o volume alocado para o programa brasileiro de crédito rural - às vésperas da reunião de Buenos Aires.

As negociações, como se vê, serão duras, mas a conquista de posições não é tarefa impossível, como bem demonstrou a delegação brasileira na reunião preparatória de Buenos Aires. A missão brasileira conseguiu aprovar, com apoio até mesmo dos Estados Unidos, duas importantes propostas, que serão levadas à próxima reunião, em Quebec: os créditos às exportações serão eliminados e os países poderão aplicar medidas compensatórias quando houver importação subsidiada.

O registro de novas conquistas será proporcional à coesão das economias latino-americanas. Ganham importância estratégica, nesse aspecto, a consolidação do Mercosul e o projeto de um mercado comum latino-americano, potencial, aliás, vislumbrado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que anunciou sua disposição de aderir ao bloco durante visita oficial ao Brasil na semana passada.

É oportuno lembrar, a propósito, que boa parte dos investimentos em infra-estrutura em curso no Brasil, que montam a cerca de US$ 500 bilhões, constitui o amálgama da integração econômica latino-americana. Com efeito, projetos como a Rodovia do Mercosul, a rodovia Transguianenses, o gasoduto Brasil-Bolívia e as hidrovias Tietê-Paraná e do Madeira, dentre outros, contribuem para derrubar as fronteiras no subcontinente, abrem novas artérias para irrigar a economia, concorrem para reforçar identidades históricas, lingüísticas e culturais e encurtam o caminho para a formação de um mercado constituído por cerca de 340 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de US$ 1,5 trilhão - o Amercosul. (Editorial) (Gazeta Mercantil, 09/04/01)

DOLARIZAÇÃO PODE SER ALTERNATIVA PARA LATINOS

Embora o ministro da Economia Domingo Cavallo tenha sinalizado que cogita equilibrar o peso argentino numa cesta de moedas, em Washington o debate sobre a Lei de Conversibilidade é a senha para se discutir a dolarização. A medida tem muito mais advogados do que adversários no Fundo Monetário Internacional, no Banco Mundial e no Departamento de Estado. Sempre em conversas anônimas, sem caráter oficial, fala-se do assunto em Wall Street e em rodas acadêmicas. 'Os argentinos têm três alternativas,' argumenta um economista republicano. 'Podem voltar ao peso. Podem se atrelar ao real. Ou podem se dolarizar. Qual dessas opções você considera mais vantajosa?' A desconfiança na capital americana é que a cesta de moedas seja uma desvalorização disfarçada. O principal teórico americano da dolarização, com documentos e palestras sobre o tema, é Steven H. Hanke, professor da universidade Johns Hopkins, em Baltimore. Aos 58 anos, Hanke é uma dessas personalidades típicas do casamento entre o saber acadêmico e as altas finanças nos Estados Unidos.

Na vida privada é presidente do Toronto Trust Argentina, fundo de investimentos de US$ 1 bilhão que, embora mantenha o grosso de suas aplicações em Buenos Aires, mobiliza centenas de milhões de dólares por ano na compra e venda de moedas de outras nações. (Em 1995, o Toronto Trust foi considerado o melhor fundo para países emergentes e, três anos depois, uma revista de comércio internacional incluiu Steven H. Hanke entre as 25 personalidades mais influentes do planeta).

Hanke integrou o círculo de assessores econômicos de Ronald Reagan na Casa Branca, entre 1981 e 1982, período de grandes mudanças da era republicana. Nos últimos anos, teve influência direta ou indireta em boa parte dos processos de dolarização ocorridos no planeta. Até hoje é assessor oficial - sempre sem remuneração - do governo da Bulgária (que aderiu ao sistema chamado 'Currency Board') e de Montenegro (fatia da Iugoslávia que adotou o marco alemão). Hanke foi assessor de Domingo Cavallo entre 1995 e 1997. Atribui-se, pelo menos em parte a seus textos e conversas, a conversão do ex-presidente Carlos Menem à dolarização.

Para Hanke, Cavallo não decretou a dolarização até agora 'porque é candidato a presidente. Como irá enfrentar Menem, não quer que pensem que aderiu a uma proposta do rival.' A tese de Hanke é que a dolarização acabaria com os dois pesos e duas medidas em vigor na economia argentina de hoje, quando os empréstimos em moeda local são mais caros que empréstimos em dólar, levando as pessoas a se endividar cada vez mais em moeda americana, embora continuem recebendo salários em dinheiro argentino. Hanke, que calcula que a dolarização da Argentina é serviço para se acabar em um mês, diz que a medida produziria um choque de credibilidade, trazendo empréstimos baratos e jogando os juros para baixo, mas teria um custo. O governo perderia perto de US$ 800 milhões que arrecada, por ano, na aplicação financeira de suas reservas internacionais. Em compensação a dolarização daria um impulso de 2% no PIB argentino.

Para Carlos Janada, analista do Morgan Stanley Dean Witter, de Nova York, a discussão sobre câmbio não é a mais urgente da Argentina. O problema imediato 'é de natureza fiscal, com as metas do FMI. Não se vê o câmbio como risco nesse momento' diz. A maioria dos estudiosos concorda que ao sinalizar para a cesta de moedas Cavallo optou por um caminho mais difícil para sair da conversibilidade. Ele terá de desdolarizar a economia antes de fazer qualquer coisa. Hanke argumenta que aí está o risco - pois qualquer movimento no sentido de afastar o peso argentino de sua paridade com o dólar cria instabilidade. 'A crise atual começou quando Cavallo defendeu a cesta de moedas', diz Hanke.

Steven Hanke é um conservador com visão de mundo e valores particulares. Considera o regime capitalista em vigor na Europa tão diferente daquele que funciona nos Estados Unidos que prefere chamá-lo de socialista. Acredita que em 20 anos o dólar será moeda em curso em quase todo o planeta - havendo espaço para poucas alternativas, como o euro, na Europa e numa parte da África, e para o iene, no Japão. Hanke considera que para os países latino-americanos a dolarização é uma forma de evolução, pois permite o acesso a uma moeda saudável em vez de um dinheiro de 'má qualidade', diz, num tom que poderia usar para falar de um tipo de queijo. 'Sabemos que a dolarização vai ocorrer na América Latina. Por que? Porque está ocorrendo.' Equador, Guatemala, El Salvador e Panamá se dolarizaram formalmente. A Nicarágua está perto e Cuba possui uma economia paralela dolarizada. 'Se o bloqueio econômico terminasse, Cuba seria dolarizada antes da queda de Fidel' diz. Se Bolívia e Colômbia estão parcialmente dolarizadas, economias mais robustas, como México, Brasil e Argentina, seguem o mesmo curso. 'Na Argentina, é permitido ter conta em dólar. No Brasil não há conta em dólar mas os ricos mandam dinheiro para o exterior, com o agravante de que não pagam imposto.' As empresas brasileiras mais dinâmicas se capitalizaram através de American Depositary Receipts (ADRs), em Nova York.

Hanke é dado a atitudes provocadores. Numa palestra no México, ouviu tantas declarações de fé no peso mexicano que fez um teste: pediu a quem não tivesse moeda americana em casa ou no bolso que levantasse a mão. 'Ninguém se mexeu.' Embora costume dizer que até 2010 a maioria dos países do Continente estará dolarizada 'oficialmente' Hanke deixa o Brasil de fora de suas previsões. Por que? 'Além de ser um país maior, há uma razão política: o Brasil tem um sonho de mandar na América Latina e não pode fazer isso dolarizado.'

Empenhado em estudar o assunto depois que o México foi à lona, nos anos 80, Steven Hanke teve tempo para amadurecer algumas idéias. 'A dolarização não elimina todos os problemas,' diz. 'Mas se a idéia de que todos os países devem ter suas próprias moedas fosse boa, não teríamos tantas nações quebradas, hiperinflação e crises cambiais.' Um argumento contra a dolarização é que ela atrela o país dolarizado aos movimentos do país dolarizante. Com isso, durante uma forte desaleceração como a que ocorre nos Estados Unidos, hoje, fica impossível promover uma política monetária contra-corrente, favorável ao crescimento. Hanke vira o argumento pelo avesso: 'se o esfriamento atual continuar por muito tempo, as outras economias também vão entrar em recessão, dolarizadas ou não.' O professor recorda que, se a economia dolarizada se atrela aos maus momentos 'também se vincula a prosperidade. As fases de crescimento são maiores que as de desaceleração.' Quando se argumenta que a dolarização afeta a soberania política, Hanke responde: 'Pelo contrário. É uma medida unilateral, que um país adota quando quer e abandona quando quiser. A soberania nacional é afetada quando se criam moedas de caráter regional, num acordo entre vários países que precisa da concordância dos demais para ser abandonado.'

Steven Hanke enxerga o mundo do início do século XXI como um retorno ao início do século XX - um planeta que não virá a revolução russa, nem Estado do Bem Estar Social, nem o nazismo. 'Nos dias de hoje a integração econômica mundial equivalente a 80% do nível daquele período,' diz. Nesse mundo distante, o ouro cumpria funções que hoje se atribui ao dólar, mas nem por isso se evitou que em 1929 o planeta viesse abaixo, arrastando países que só se levantaram, muitos anos depois. Foi assim que o Brasil deixou de ser produtor de café para construir o décimo parque industrial do planeta. Hanke reconhece essa questão mas alega uma diferença: 'os países viviam em isolamento, como ilhas. Agora não é assim.'

O governo americano gosta de avisar aos dolarizáveis que não tem nada a ver com isso. Alan Greenspan, presidente do Fed, já disse que mesmo que a Argentina se dolarize seguirá regulando os juros em função da economia americana. Pelo cálculo de Hanke, o governo americano gasta perto de 3,5 centavos de dólar para produzir cada nota de um dólar - e exporta 70% dessa mercadoria por valores que podem chegar a 333 vezes mais altos do que o custo original. (Gazeta Mercantil, 09/04/01)

COLÔMBIA, VENEZUELA E MÉXICO ACERTAM PACTO

Os presidentes do México, Venezuela e Colômbia apresentaram uma frente unida no seu "Grupo de chefes de Estado" latinos deste fim de semana, mas algumas diferenças sobre comércio e outras questões eram claramente visíveis sob suas declarações de consenso e unidade. Com a promessa de cooperação em áreas compreendendo de energia a combate à pobreza, Vicente Fox, Hugo Chavez e Andreas Pastrana conseguiram encobrir áreas de discórdia e no entanto criar novas questões sobre exatamente como eles vão trabalhar juntos. Na área de energia, por exemplo, a declaração final afirma seu objetivo de fortalecer "a política de coordenação condutiva à estabilização de mercado de energia".

O ministro das Relações Exteriores do México, Jorge Castaneda, explicou que a Colômbia vai simplesmente aderir à política de energia que o México e Venezuela, um membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), vem conduzindo nos últimos anos. O ponto de atrito é que a Venezuela e o México, um grande produtor independente, parecem mais inclinados a cortar reduzir o abastecimento em cooperação com a Opep do que a Colômbia, que visa elevar sua produção para mais de 1 milhão de barris por dia contra os atuais 620 mil b/d.

Na noite de sábado, o ministro do Petróleo da Venezuela, Alvaro Silva, disse que a Opep está preocupada com a queda dos preços do petróleo, apesar do corte, feito no final de março, na produção de 1 milhão b/d. Ernesto Martens, o colega mexicano de Silva, disse que o México, que reduziu suas exportações em 40 mil b/d como parte da mais recente iniciativa da Opep, concordaria com outro corte nas suas exportações de petróleo se "as decisões da Opep coincidirem com nossas análises".

As diferenças de opinião a respeito do livre comércio eram visíveis desde o começo. Em seus discursos de abertura, Hugo Chavez, presidente da Venezuela, alertou contra os modelos de integração de livre- mercado "neo-liberais" e destacou a necessidade para um "mundo multipolarizado" para refrear uma suposta hegemonia dos Estados Unidos.

Bolsas

As negociações mexicano-colombiana-venezuelanas também deram um pontapé inicial na questão da integração das respectivas bolsas de valores. Negócios em queda nos pregões das três bolsas estariam forçando uma parceria. (Gazeta Mercantil, 09/04/01)

A CLASSE POLÍTICA BRASILEIRA, DE COSTAS PARA O MUNDO

O escritor e cientista político francês Guy Sorman, um dos principais ideólogos do liberalismo, participará entre hoje e amanhã em Porto Alegre do 14º Fórum da Liberdade, evento que ocorre anualmente desde 1988. Com a manifestação, as classes empresariais gaúchas desejam restaurar a imagem internacional da cidade como um centro de atividades produtivas, depois do Foro Social, realizado em janeiro.

"Inimigos do Progresso" é o título do livro que Sorman lançará ainda este ano na Europa. Seu propósito é mostrar como "o ecologismo, tornando-se o dogma pontifical das esquerdas em substituição ao marxismo, e as mais variadas expressões pseudocientíficas", serve hoje de argumento na luta contra "a ameaça de o capitalismo assegurar, pelas biotecnologias, o desenvolvimento harmonioso das civilizações, sobretudo do Terceiro Mundo".

Nesta entrevista a O Estado, Sorman lamenta o fato de a classe política brasileira se encontrar - ou "dar pelo menos essa impressão ao mundo" - de costas para as transformações em curso fora de suas fronteiras. E assim parece despreparada para respaldar as classes produtoras nacionais no seu confronto com os novos desafios colocados pela economia de mercado. O ideológo francês do liberalismo critica o presidente Fernando Henrique por não haver modificado esse quadro. A seu ver, isso vai justificar em 2002, entre outros eventos, a volta de Lula aos palanques com seu discurso "superado, corporativista e estatista", sem relação com o que se passa no planeta.

Estado - Como explicar a Organização Mundial do Comércio (OMC), criada pelos democracias liberais?

Guy Sorman - A OMC anda às tontas entre forças contraditórias. De um lado, temos a Europa, os EUA e alguns dos países ricos da Ásia que desejam a abertura de todos os mercados e consideram a medida vital para as nações do Sul.

Do outro lado, contudo, temos a aliança bizarra dos sindicalistas do mundo rico, como José Bové, por exemplo, com a burocracia dos países do Sul para que a OMC estabeleça regras de proteção do meio ambiente, normas sociais, etc. Acontece que, se a OMC começar com regulamentos sobre a natureza e a justiça social, o homem do Sul acabará sem a proteção essencial do trabalho, que desaparecerá na voragem burocrática.

Estado - Que posição os países do Sul deveriam adotar no debate?

Guy Sorman - Tomemos o caso do Brasil. O que importa no caso desse grande país é saber como ele pode se posicionar de maneira eficaz no mercado mundial. Para tanto, seria necessário que o Brasil deixasse de lado a lógica dos burocratas obcecados com as regulamentações da OMC e tratasse de encarar as realidades do mercado global e meditar sobre os exemplos de países como a Índia, que era um país fechado, gangrenado pela burocracia herdada da influência soviética. Agora, o país se abriu para o mercado mundial, o volume de suas exportações não pára de subir e seu crescimento é de 7%. Por que o Brasil não consegue fazer igual? Eis o debate que os brasileiros deveriam fazer, em vez de ficarem se lamentando que não podem chegar lá por causa do protecionismo europeu e americano. E por que os outros chegam.

Estado - Qual a solução?

Guy Sorman - Os empresários brasileiros bem que poderiam empreender um esforço de marketing internacional, a fim de detectarem os gostos, os sonhos, o imaginário dos consumidores dos países ricos que são referência para o Brasil e deveriam informar a busca da originalidade na sua produção industrial e comercial. Por que os europeus compram o produto japonês/ Porque os japoneses lhes "venderam" a imagem do oriental moderno, chique, bom de design e que faz coisas originais e de qualidade. É preciso ver que o mercado mundial, hoje, é um mercado de símbolos, sobretudo no Hemisfério Norte. Aqui, o pessoal quer comprar, de preferência, aquilo que na mesa, no guarda-roupa, no salão e na rua o faz sonhar, voar em devaneios ao lugar de procedência do produto. Isso importa mais que a qualidade.

Dentro de tais parâmetros, o consumidor europeu não tem razões para se deixar seduzir pelos atuais "made in Brazil". Eles não são diferenciados, não trazem nada que confirme no espírito do consumidor a imagem positiva do Brasil como grande país, a pátria da simpatia, nação de artistas, de riquíssima cultura popular. Essa imagem deveria, aliás, inspirar o salto qualitativo do Brasil na economia globalizada, o que já acontece em apenas dois setores: o da música, a MPB que o mundo inteiro adora, e o da aviação, onde a Embraer obtém sucesso notável.

Em suma, no plano comercial, está mais do que na hora de o Brasil abandonar as tentações de copiar Miami e a Europa, para pensar e criar por si próprio.

O Brasil precisa reunir seus exportadores, seus publicitários, seus artistas, designers, arquitetos, grandes artesãos, etc., para que eles codifiquem a simbologia inerente à cultura brasileira a ser agregada aos seus produtos de exportação.

Estado - Mas o Sr. não desconhece as barreiras protecionistas com que as exportações agrícolas do Brasil e da America Latina se defrontam na Europa...

Guy Sorman - Existem sim essas barreiras que protegem uma agricultura altamente subvencionada de camponeses-funcionários. Mas o esquema vai se acabar daqui a pouco, porque o contribuinte-consumidor europeu já não aceita o preço que paga por tal aberração. Com essa reciclagem, países com vocação para as exportações agrícolas em alta escala, como Brasil, Argentina, Canadá e Austrália, terão todas chances na Europa.

Estado - Qual é sua percepção da classe política brasileira ante a globalização?

Guy Sorman - Se os políticos brasileiros tivessem a consciência clara e abrangente do jogo mundial tal como os senhores Celso Lafer e Pedro Malan, com quem discuti recentemente, o Brasil estaria, de fato, tinindo para enfrentar os desafios da globalização e das transformações políticas. Agora, convenhamos que a base política do Brasil permanece extremamente paroquial, enraizada no clientelismo, na captação do máximo de subvenções e em outras práticas condenáveis. A grande maioria se preocupa apenas em conservar seu pedacinho de feudalismo, com suas vantagens e privilégios.

Por sua vez, o PT, que, ao nascer com a redemocratização, encarnava as esperanças das forças de esquerda urbanas, tornou-se um partido conservador, defensor da burocracia estatal, do corporativismo sindical de luxo. Desse modo, o que se passa além das fronteiras do Brasil interessa a muito poucos. A soma de tais comportamentos explica a paralisia que no sistema político do País.

A estas alturas, é com consternação que tenho de anunciar minha decepção com o presidente Cardoso. Um Cardoso que conhece o mundo, tem uma capacidade de análise excepcional das dificuldades do Brasil e do planeta, mas permaneceu o sociólogo do poder. O presidente conhece todas as causas pelas quais o Estado brasileiro não funciona, mas não consegue passar da análise à ação. A culpa é dele ou do sistema? Não sei. Lembro-me apenas das conversas que tive com Cardoso no início de sua presidência. Era impressionante sua lucidez na apreciação do que não funciona e devia ser feito. Agora que seu mandato se aproxima do fim, verifico que quase nada foi modificado.

Estado - E o que vai acontecer então?

Guy Sorman - Como o Brasil não consegue se desembaracar dos entraves feudais e corporatistas que bloqueiam seu processo político, o velho enredo vai ser novamente servido à sociedade brasileira, ou seja lá virá Lula de volta, pela quarta vez, com seu discurso estatista, burocrata, corporativista, que mostra mais uma vez o quanto anda congelado o pensamento político brasileiro.

Estado - Os foros antagônicos de Davos e Porto Alegre podem contribuir no avanço da globalização?

Guy Sorman - Duvido, pois se trata de duas caricaturas. Em Davos temos a caricatura do liberalismo com seus milhardários e ditadores que pretendem encarnar o desenvolvimento econômico e fazer a felicidade dos povos. Embaraçante!

O foro de Porto Alegre é outra impostura em que os antigos marxistas procuram nova ocupação diante da falência do comunismo. Eles também não estão interessados na felicidade dos povos, mas apenas na conquista do poder. Perguntei a José Bové e a outros militantes franceses do foro quais eram suas propostas. A resposta deles: "Não propomos nada. Estamos na resistência". (Entrevista ao correspondente Napoleão Sabóia) (Estado de São Paulo, 09/04/01)

INVESTIMENTOS E COMÉRCIO CRESCERAM NO MERCOSUL

Para Felix Peña, que já foi um dos principais negociadores do Mercosul e ocupou o cargo de Subsecretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, os fatos principais dos últimos cinco anos foram 'o forte aumento dos fluxos econômicos dentro do bloco, os investimentos cruzados e a mudança do clima nas relações entre os dois maiores sócios'. Ele destaca que, apesar das dificuldades existentes e das crises circunstanciais, o importante é que há maior consciência e tolerância entre o que é relevante para um país e outro. 'Hoje em dia, há um espírito de sociedade entre os países e é necessário entender que diferenças de opiniões sempre vão existir', diz.

Jorge Campbell, ex-secretário de Relações Internacionais, considera 'espetacular' que imediatamente após o anúncio das alterações tarifárias, o ministro Cavallo tenha viajado para conversar com as autoridades brasileiras. Para ele, isso significa que o Mercosul ainda é o melhor para as economias de Argentina e Brasil. Outro sinal de mudança significativa no rumo das negociações aparece quando se lembra que, em 1996, 'não havia um discurso comum' entre os países da região, que hoje já negociam em bloco com a União Européia e no processo de formação da Área de LivreComércio das Américas (Alca).

Campbell afirma também que os últimos anos foram marcados pela conclusão, após árduas e longas negociações, do acordo automotivo. O comércio regional cresceu, foram assinados acordos tipo 4+1 com o Chile e a Bolívia e criou-se a cláusula democrática para defender o Paraguai. Peña observa que é 'muito importante' haver tarifa zero no comércio regional para quase todo o universo de produtos. As principais exceções ficam por conta dos automóveis (há um regime especial) e doaçúcar, um produto que continua fora do processo de integração.

Também se avançou bastante na integração energética e no desenvolvimento da infra-estrutura física.

Ao ponderar que o Mercosul padece de 'sérias deficiências', Peña recomenda muito trabalho para que os quatro países cheguem a ter um marco comum para enfrentar os problemas. 'Um Mercosul de má qualidade não nos convém', arremata.

De 1996 a 2001, Argentina e Brasil enfrentaram-se no Tribunal Arbitral do Mercosul em três conflitos comerciais: licenças de importação, suínos e têxteis. Os empresários calçadistas discutiram muito e ainda têm algumas divergências, a Argentina abriu processo de investigação de dumping contra as importações de certos tipos de aço, mas, depois, os empresários assinaram acordos diretos e os fabricantes de papel assinaram acordos setoriais dentro de um clima cordial. Alegando dumping, a Argentina aplicou sobretaxas às importações de frango brasileiro e o Brasil reagiu levando o caso ao Tribunal. Em tempos de globalização, a economia argentina foi internacionalizada e marcas famosas como a dos alfajores Havanna foram parar em mãos do capital estrangeiro. Os grupos Exxel, Santander, Bilbao Vizcaya Argentaria, Itaú, Promodès, Danone, Irsa e Repsol aumentaram seu peso na economia local, enquanto grupos nacionais fortes como Macri, Sancor, Arcor e La Serenísima aumentaram sua presença no território brasileiro. A Petrobrás associou-se à Repsol-YPF e à Dow Chemical no projeto Mega, que exigiu a aplicação de US$ 700 milhões, e está trocando ativos com o grupo argentino. Outros negócios de vulto envolveram a tradicional Molinos Río de la Plata (agora pertencente ao grupo Pérez Companc) e o site Patagon (Santander). (Gazeta Mercantil Latino Americana, 09/04/01)

BRASIL E MÉXICO, BONS NEGOCIADORES

A solução para o problema dos subsídios, tarifas e barreiras não-tarifárias é a bandeira que os latino-americanos levantam nas negociações com os EUA para a formação da Alca.

O problema é que nem todos os países têm habilidade negociadora. Essa, pelo menos, é a opinião de Patricio Lombardi, assessor do presidente George W. Bush para a região e ex- subsecretário de Estado para a América Latina do estado da Flórida. 'Muitos países da região não sabem negociar e os que fazem isso corretamente são o México e o Brasil', observa. Lombardi explica que o México tem uma postura histórica de ficar contra todas as posições norte-americanas, para depois sentar e discutir. 'Hoje, o 'novo México' é o Brasil, que entende perfeitamente a mentalidade dos norte-americanos: fazer-lhes frente para depois arrancar condições', afirma, acrescentando que a frase 'relações carnais com os EUA', cunhada na presidência de Carlos Menem, foi a pior que escutou nos últimos anos, 'já que não sepode dar sem pedir nada em troca'. O ministro da Economia,

Domingo Cavallo, assegura, é a exceção entre os argentinos. Por entender melhor a maneira de pensar dos americanos, entra em conflito com a área diplomática do país, que, segundo Lombardi, não conta com uma estratégia de comércio exterior. (Gazeta Mercantil Latino Americana, 09/04/01)

 

NOTÍCIAS DE FONTES INTERNACIONAIS

LAFER: NO TIENE SENTIDO FIJAR CUPOS EN EL MERCOSUR

La aplicación de cupos internos en el Mercosur no tiene ningún sentido. No obstante, estamos dispuestos a asumir la responsabilidad coyuntural en momentos de excepcionalidad financiera de la Argentina, analizando y buscando fórmulas alternativas para colaborar, pero respetando siempre el libre comercio en el bloque , aseguró en diálogo con BAE el canciller brasileño, Celso Lafer.

Con esto, el gobierno de Fernando Henrique Cardoso aclaró que Brasil está dispuesto a considerar un refuerzo de medidas excepcionales para que la Argentina supere la crisis, en caso de que sean solicitadas. Pero advirtió también que las normas serán rechazadas si afectan la libre circulación de bienes en la región.

La semana última trascendió por fuentes empresariales de ambos países que el ministro Domingo Cavallo intentaba convencer a su par Pedro Malan para la administración del comercio de productos sensibles, como papel, calzado, textiles y electrónicos. Los cancilleres y ministros de Economía de los cuatro países socios del bloque participaron el sábado último de la reunión extraordinaria del Consejo de Mercado Común (CMC) en el Palacio San Martín, luego de la reunión de ministros del ALCA. Del encuentro surgió el aval de los países del bloque a las medidas dispuestas por Cavallo, quien elevó a 35% el arancel externo para bienes de consumo y desmanteló el impuesto para importar bienes de capital.

Libre comercio El documento señala que las medidas serán de carácter excepcional y temporario , ya que podrán aplicarse hasta el 31 de diciembre del 2002.

Las medidas adoptadas no deben implicar restricciones al comercio intrazona, ni tener efectos distorsivos en la competitividad de la región , señala el informe firmado por los ministros. Las partes acordaron analizar el impacto de las medidas arancelarias sobre el comercio regional en la próxima cumbre del Mercosur que se hará en junio en Paraguay. Y en caso de que sea necesario, definir medidas correctivas para evitar distorsiones.

El Gobierno argentino dará a conocer esta semana una resolución que dispone valores de referencia mínimos para el ingreso de productos incluidos en el canal morado, que coincide con los bienes de consumo a los que se elevó el arancel externo. La medida apunta a detectar y evitar el contrabando y el ingreso de productos subfacturados o con certificados de origen falsificados. Y complementa la suba de aranceles externos, ya que está demostrado que cuando se encarecen las importaciones, se incrementan los delitos de comercio.

Los industriales locales no se conforman con esta medida e insisten en la necesidad de instrumentar cupos a las exportaciones de Brasil. (Buenos Aires Económico/Argentina, 09/04/01)

VENEZUELA DESCARTA QUE INGRESO A MERCOSUR PERJUDIQUE A ANDINOS

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, descartó el domingo que un eventual ingreso de su país al Mercosur perjudique a sus socios de la Comunidad Andina de Naciones (CAN) y del Caribe.

El mandatario anunció esta semana, tras una visita de un día a Brasil, que había pedido la incorporación de la nación petrolera como miembro del Mercado Común del Sur (Mercosur), lo que aspira lograr antes de fin de 2001.

"Venezuela lo que pretende es acelerar o contribuir a acelerar la integración entre la CAN y el Mercosur, cosa que nosotros debemos lograr antes del Acuerdo de Libre Comercio de las Américas (ALCA)", dijo Chávez en una conferencia de prensa conjunta con los presidente de Colombia y México, tras una cumbre del Grupo de los Tres.

Agregó que la adhesión de Venezuela al bloque regional no ocasionará "...impacto negativo ni en la CAN (conformada por Bolivia, Ecuador, Colombia, Perú y Venezuela)... ni en los estados del Caribe".

La decisión fue cuestionada por funcionarios de Colombia, quienes argumentaron que debilita el poder de negociación de la CAN frente a la unión aduanera del sur.

Sin embargo, el presidente colombiano, Andrés Pastrana, dijo el domingo que su país respeta la decisión de Venezuela porque "es autónoma", pero llamó a sus socios de la CAN a fortalecer al bloque.

Venezuela y Colombia son los socios más activos de la Comunidad.

Venezuela aspira en una primera etapa ser miembro asociado de la unión aduanera de Mercosur, como lo son Bolivia y Chile, y en el futuro buscará a convertirse en miembro pleno.

Chávez, un militar retirado que ha enarbolado la bandera de la integración regional y continental, también llamó en Brasil a acelerar la integración del Mercosur con la CAN, tema que dijo marchaba lento.

El mandatario sostiene que la integración regional debe estar sedimentada antes del ALCA, un ambicioso proyecto para convertir a América a partir de 2005 en la mayor zona de intercambio desgravado del mundo, con 800 millones de consumidores. (El País/Uruguay, 09/04/01)

ACUSACIONES Y TRABAS COMERCIALES ENTURBIAN RELACIONES CHILE-EE.UU.

El martes pasado Chile amaneció con la acusación de Estados Unidos sobre la existencia de una serie de barreras comerciales que impiden el normal desarrollo del intercambio bilateral.

El catastro de trabas comerciales del año 2001 de la Oficina del Representante de Comercio de Estados Unidos, Robert Zoellick - quien justamente al día siguiente inició su visita al país- , mencionó entre las dificultades al sistema de bandas de precios; las salvaguardias impuestas para ciertos productos agrícolas; una excesiva fiscalización sanitaria;

la ayuda que ProChile brinda en materia de promoción de exportaciones no tradicionales - una novedad ya que hasta ahora este organismo nunca había sido cuestionado- ; el sistema encaje al flujo de capitales extranjeros y el impuesto al lujo.

La respuesta de Chile no se hizo esperar.

Al día siguiente, el ministro de Hacienda, Nicolás Eyzaguirre, afirmó que las acusaciones contra Chile no tenían fundamento.

En su opinión, la situación hizo más clara la importancia de acelerar un tratado de libre comercio con Estados Unidos donde este tipo de situaciones puedan ser previstas y más que eso, analizadas y resueltas.

Chile también dijo que Estados Unidos tiene sus propias trabas, las que han dificultado el intercambio.

Entre ellas, se mencionan los mecanismos antidumping y los derechos compensatorios, que se hicieron sentir precisamente en estos días con una acusación por parte de productores de uva de California contra el producto nacional los que denunciaron que el año pasado, se vendió uva chilena bajo los costos. (El Mercurio/Chile, 09/04/01)

JOHN MANLEY, SELF-DESCRIBED PRAGMATIST, SETTLES IN AT FOREIGN AFFAIRS

John Manley describes himself as a pragmatist. Five months into his tenure as minister of Foreign Affairs, he knows his most immediate job, in practical terms, is developing a relationship with the new administration in Washington.

After years in which his predecessor Lloyd Axworthy had an often prickly relationship with the United States, Manley takes a straightforward approach.

"It's said that the United States is our best friend whether we like it or not," he said in a recent interview. "This is the bus that we're on and we need to manage that relationship.

"Our prosperity is very much tied to that billion-dollars-a-day trade."

He has other worries, of course, including the Summit of the Americas starting next week in Quebec City, a Canadian-hosted G8 summit next year plus "the 80-odd other issues that come along on a day-to-day basis."

But Washington is his main focus.

"You've got to manage that relationship. I start from the assumption that this is 90 per cent a good thing and has 10 per cent problems attached to it," he said.

Manley, an Ottawa lawyer first elected to the Commons in 1988, served as Industry minister from 1993 until last year and is acutely aware of the value of the Canada-U.S. trade relationship.

One of the problems in the early days of a new American administration is the dozens of political appointments that must be approved by the U.S. senate.

"They're not all in place," he said.

The new cabinet, including people like State Secretary Colin Powell, "are good people, highly qualified," he added.

This pragmatic approach will serve Manley well, analysts said.

Brian MacDonald, an independent Toronto-based commentator on defence and foreign policy issues, said the minister is starting well.

"By not wandering around doing his best to jab the Americans at every turn, that in itself will earn a warm feeling in Washington towards him," MacDonald said.

"Manley is far more interested in looking after our interest in economic things and then placing our security policy approaches in such a way that it doesn't screw up our economic policy interests.

"My initial read on him is that, yes he is a pragmatist and he wants to look after our critical economic interests and to be reasonable with the Americans in term of things that are really important to them - unless there is an overwhelming reason for us to dig in our heels."

Manley said Canadians believe strongly in their independence and distinctiveness from the United States.

"You need to find ways to preserve that," he said. "I don't think you preserve it by being isolationist, insecure, obstreperous for no reason.

"I think you've got to pick your issues and undoubtedly there will be some . . . .

"You don't start a fight on everything, you start a fight where you think you really need to fight."

The attention to Washington doesn't come at the expense of other issues, such as the human rights and security priorities so dear to Axworthy. These include measures to curb the international trade in small arms and the use of child soldiers as well as efforts to remove land mines around the world.

Manley said these are still priorities.

Ernie Regehr of Project Ploughshares agreed that these haven't been overlooked.

"The human security agenda remains prominent there, the arms-control agenda is strong," he said.

Regehr was recently in New York, observing preparations for a summer conference on small arms.

"Canada was prominent there . . . in pushing for a strong document on small arms control and also pushing for the human security agenda to be addressed there."

Regehr said Manley may not be pushing hard on these issues, but he's not pulling back.

Manley bristled a bit when asked to compare himself with Axworthy, who was well-known for this human security agenda.

Axworthy, he said, became known for that after two or three years in the job.

"I've been here five months. Give me a break." (National Post/Canada, 09/04/01)